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O Núcleo dos Árbitros de Futebol de Almada e Seixal (NAFAS), que fez 50 anos no dia 12 de Janeiro de 2010, pode orgulhar-se de ter sido pioneiro no país. Depois de vencidas muitas dificuldades e muitos anos de verdadeiro amadorismo, saltando de sede em sede, sempre provisórias, só em 1992 viu ser-lhe feita justiça, com a cedência de instalações próprias por parte do município de Almada, onde, com o seu vasto espólio de 48 anos de muito trabalho, continua a desenvolver uma acção notável do ponto de vista social e desportivo. Inicialmente preenchendo apenas o espaço geográfico do concelho de Almada, o núcleo viria a estender-se ao vizinho Seixal, face ao elevado número de árbitros existente na região. O reconhecimento do trabalho desenvolvido viria a coroado com a atribuição, em 2003, da medalha de prata de “Mérito Desportivo” por parte da autarquia, distinção que constituirá caso único no país, no que aos núcleos de árbitros diz respeito. Outro dos motivos de orgulho do NAFAS tem a ver com os encontros nacionais de árbitros. Organizou o primeiro encontro de núcleos, em 1988, realização que teve lugar no salão nobre do município do Seixal, com a participação de oito núcleos. Caberia ainda ao NAFAS a organização, em 2002, com elevada participação, do encontro nacional em Almada.

Deste núcleo saíram árbitros para todas as categorias nacionais, incluindo dois árbitros internacionais. Da formação saíram igualmente vários para as carreiras de observadores e assessores, alguns a ocuparem mesmo lugares de dirigismo ao mais alto nível. Mas... muitos foram os “espinhos” ao longo da sua existência. No início – estávamos então em 1957 – Almada era uma pequena vila. Embora a vertente desportiva do futebol se praticasse já em abundância, com vários clubes em expansão - recordamos o Almada A.C. (então renascido da fusão de dois clubes mais antigos, o Ginásio Clube do Sul que viria mais tarde a extinguir esta modalidade do seu seio, e o Monte de Caparica), o Trafaria, Os Pescadores da Costa de Caparica e o Cova da Piedade – poucos árbitros existiam neste concelho. Lembramos Carlos Neves, Jaime Costa, José da Silva, Aguiar da Costa, Francisco Ortiz, Paulo Guimarães e Guilhermino Lemos. Estes dois últimos, então, acederam ao pedido do presidente da Comissão Distrital de Setúbal, Alfredo Pedrosa, e abriram-se, pela primeira vez em Almada, as inscrições para um curso de árbitros de futebol. Choveram as inscrições e, decorridos os dois meses de curso, realizado numa dependência do desaparecido antigo liceu de Cacilhas, tiveram aproveitamento, nos exames realizados em Setúbal, 36 candidatos. Com este número e com os árbitros já existentes no concelho (e a que atrás nos referimos) criou-se um problema de reunião, resultante do facto de ter sido negada a possibilidade das reuniões continuarem a ter lugar nas instalações do antigo liceu. Deu-se início à via-sacra dos árbitros… Formados em 1958 e, após viajarem por variados espaços que entretanto lhes iam sendo cedidos e algum tempo depois desalojados, decidiram legitimar a existência do grupo, que, em 1960, deu origem ao que foi o primeiro Núcleo de Árbitros do país, tomando o nome de Núcleo de Árbitros de Futebol de Almada. Muitos e variados locais viriam a servir de “casa” ao Núcleo. Colectividades recreativas, associações de bombeiros, sindicatos e clubes serviram para “asilar” aqueles que necessitavam de se reunir para o seu aperfeiçoamento social e desportivo enquanto árbitros. Em tempo de ditadura, foram mesmo perseguidos pela polícia política da época, que decidiu aparecer nas reuniões, na altura na Casa de “Os Belenenses” de Almada, para observar o teor das reuniões e convocar os responsáveis para a esquadra local, para interrogatório. Felizmente sem consequências, embora se soubesse que onde quer que os árbitros estivessem, não estavam sozinhos: estavam a ser (bem) observados. Mas foi assim, com todas as vicissitudes, que o Núcleo foi crescendo, apesar de todas as dificuldades que apareciam e se foram vencendo. Em muitos daqueles locais se continuaram a formar novos candidatos através de cursos anuais. candidatos através de cursos anuais. (na década de oitenta) em que, sendo o candidato de um dos cursos o presidente da Casa do Povo de Corroios, disponibilizou as instalações da sua instituição para servir de sede. Ali viveu e desenvolveu o Núcleo de Árbitros de Almada grande actividade, tendo formado dezenas de novos árbitros que vieram enriquecer os quadros da arbitragem da Associação de Futebol de Setúbal. De realçar que, naqueles anos, os árbitros não tinham viatura e a cidade de Setúbal distava 40 quilómetros – uma enormidade! – de Almada, o que, para a época, tornava quase impossível fazer as reuniões naquela cidade e naturalmente na sede da Associação. Depois, com o número de sócios a crescer, com adesões a surgirem não só à cidade de Almada, mas também do Seixal, foi decidido alterar o nome do Núcleo, que a partir daí passou a ter a actual denominação, passando a ser o núcleo de “Almada e Seixal”.

Meio século volvido, o NAFAS orgulha-se do seu passado e do título que ostenta no movimento associativo gerado a nível nacional no seio da arbitragem nacional – ter sido pioneiro e percursor na criação dos núcleos de árbitros que hoje cobrem praticamente todo o país.